Relaxamento de prisão em flagrante: quando acontece e como a defesa pede

Por · Advogado criminalista

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O relaxamento de prisão em flagrante é a decisão do juiz que solta a pessoa porque a prisão é ilegal, por exemplo quando não havia situação de flagrante ou quando formalidades e prazos não foram cumpridos. Está previsto no art. 310, I, do CPP e no art. 5º, LXV, da Constituição. Em regra, é analisado na audiência de custódia.

Quando alguém é preso em flagrante, a família quer saber se há como sair logo. Uma das saídas é o relaxamento da prisão, mas ele só existe quando a prisão é ilegal. Entender essa diferença evita pedidos errados e ajuda a defesa a agir no momento certo. Este texto explica quando o relaxamento acontece, como ele se distingue da liberdade provisória e da prisão preventiva e o que a família pode fazer.

O que é o relaxamento de prisão em flagrante?

É a decisão do juiz que põe fim a uma prisão ilegal. A Constituição Federal diz, no art. 5º, LXV, que “a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária”. No Código de Processo Penal, o art. 310 estabelece que, ao receber o auto de prisão em flagrante, o juiz deve decidir de forma fundamentada entre três caminhos: relaxar a prisão ilegal, converter o flagrante em prisão preventiva ou conceder liberdade provisória, com ou sem fiança.

O relaxamento não discute se a pessoa é culpada ou inocente. Ele examina apenas se a prisão foi feita e mantida dentro da lei. Se não foi, o juiz precisa soltá-la, ainda que a investigação ou o processo siga adiante.

Quando a prisão em flagrante é ilegal?

A prisão em flagrante só é legal se houver uma das situações do art. 302 do CPP e se as formalidades forem cumpridas. A defesa costuma examinar, entre outros pontos:

  • Ausência de flagrante: a pessoa não estava cometendo a infração, não acabara de cometê-la, não foi perseguida logo após nem encontrada logo depois com instrumentos ou objetos que indiquem a autoria (art. 302). Uma prisão feita sem nenhuma dessas situações é um dos pontos mais discutidos.
  • Falta de comunicação: o art. 306 exige que a prisão e o local onde a pessoa se encontra sejam comunicados imediatamente ao juiz competente, ao Ministério Público e à família ou a quem ela indicar.
  • Atraso no encaminhamento do auto: o art. 306, § 1º, prevê que, em até 24 horas após a prisão, o auto seja encaminhado ao juiz.
  • Nota de culpa não entregue: no mesmo prazo, a pessoa deve receber, mediante recibo, a nota de culpa assinada pela autoridade, com o motivo da prisão e os nomes do condutor e das testemunhas (art. 306, § 2º).
  • Falta da audiência de custódia: o art. 310, § 4º, prevê que a não realização da audiência, sem motivação idônea, torna a prisão ilegal.

Nem toda falha leva automaticamente à soltura. Os tribunais avaliam as circunstâncias de cada caso, e por isso a análise do auto de prisão por um advogado é indispensável.

Qual a diferença entre relaxamento, liberdade provisória e preventiva?

As três decisões do art. 310 resolvem situações diferentes. A tabela resume:

As três respostas do juiz ao flagrante (CPP, art. 310)
DecisãoQuando ocorreEfeito
Relaxamento (inciso I)A prisão é ilegalA pessoa é solta porque a prisão não poderia existir
Conversão em preventiva (inciso II)Estão presentes os requisitos do art. 312 e medidas alternativas não bastamA pessoa segue presa durante o processo
Liberdade provisória (inciso III)A prisão foi legal, mas não é necessário manter a pessoa presaResponde em liberdade, com ou sem fiança

O ponto central é o defeito da prisão. Pedir liberdade provisória pressupõe que o flagrante foi legal; pedir relaxamento é sustentar que ele não poderia ter acontecido. A defesa pode apresentar os dois pedidos, um subsidiário ao outro. A Constituição ainda diz, no art. 5º, LXVI, que ninguém será levado à prisão ou nela mantido quando a lei admitir a liberdade provisória. Para entender a etapa seguinte, leia sobre a prisão preventiva e como pedir a revogação.

Quem decide e quando o relaxamento é pedido?

Quem decide é o juiz. Em regra, a questão surge na audiência de custódia, realizada em até 24 horas depois do recebimento do auto de prisão em flagrante. Nela, a defesa pode apontar as ilegalidades. Se a ilegalidade for percebida depois, a defesa pode pedir o relaxamento por petição ao juiz, já que a Constituição determina que a prisão ilegal seja relaxada imediatamente.

O que fazer se o juiz não relaxar a prisão?

Se o juiz mantiver a prisão e a defesa entender que há ilegalidade, o caminho é levar a questão a um tribunal por meio de habeas corpus, o remédio constitucional contra prisão ilegal, tratado no art. 5º, LXVIII, da Constituição e nos arts. 647 e seguintes do CPP.

O que a família pode fazer agora?

  1. Descubra onde a pessoa está presa e a data e a hora da prisão: esses dados ajudam a conferir os prazos.
  2. Procure um advogado criminalista e informe o nome dele à delegacia.
  3. Peça acesso ao auto de prisão em flagrante e à nota de culpa, para a defesa conferir as formalidades.
  4. Reúna comprovante de residência, vínculo de trabalho e documentos pessoais, úteis caso o pedido seja de liberdade provisória.
  5. Acompanhe com o advogado a audiência de custódia e a decisão do juiz.

Quer que o escritório analise um caso de prisão em flagrante?

O Bellini Jr & Vilhena Sociedade de Advogados, em Campinas/SP, atua em direito criminal, desde a delegacia. Fale com o escritório para analisar o seu caso. Veja também o guia de prisão em flagrante: direitos e próximos passos.

Pontos principais

  • O relaxamento serve para prisão ilegal; não discute culpa ou inocência.
  • Está no art. 310, I, do CPP e no art. 5º, LXV, da Constituição.
  • Falta de flagrante, de comunicação, de nota de culpa ou de audiência de custódia são pontos que a defesa examina.
  • Se a prisão foi legal, o pedido costuma ser de liberdade provisória ou, depois, de revogação da preventiva.
  • Se o juiz mantiver uma prisão ilegal, cabe habeas corpus a um tribunal.
  • Constituição Federal, art. 5º, LXI a LXVI — flagrante, comunicação da prisão, prisão ilegal e liberdade provisória
  • Código de Processo Penal, arts. 301, 302, 304 e 306 — flagrante, auto de prisão e comunicação
  • Código de Processo Penal, art. 310 — decisão do juiz sobre o flagrante e audiência de custódia
  • Código de Processo Penal, arts. 647 a 667 — habeas corpus

Perguntas frequentes

O que significa relaxamento de prisão?

É a decisão do juiz que solta alguém por considerar a prisão ilegal. Está prevista no art. 310, I, do CPP e no art. 5º, LXV, da Constituição, e não avalia se a pessoa é culpada.

Qual a diferença entre relaxamento e liberdade provisória?

O relaxamento ocorre quando a prisão é ilegal. A liberdade provisória ocorre quando a prisão foi legal, mas não é necessário manter a pessoa presa, e pode vir com ou sem fiança.

Quem decide o relaxamento da prisão em flagrante?

O juiz, em regra na audiência de custódia, que deve ocorrer em até 24 horas depois do recebimento do auto de prisão em flagrante.

Se a prisão for relaxada, o processo acaba?

Não. O relaxamento apenas encerra a prisão. A investigação ou o processo pode continuar, e a pessoa responde em liberdade.

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educativo, em conformidade com o Código de Ética e Disciplina da OAB, e não substitui a análise individual do seu caso por um advogado. Cada situação tem particularidades que podem alterar o caminho jurídico adequado.

Sobre o autor

Bellini Jr

Sócio fundador do Bellini Jr & Vilhena, doutorando e pesquisador de violência na FCM/UNICAMP e professor de Direito Penal e Processual Penal. Atua em Direito Criminal desde a fase de inquérito até o STJ e o STF.

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