Quanto custa um advogado criminalista? Como funcionam os honorários na defesa criminal

Por · Advogado criminalista

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Não existe um valor único: os honorários de um advogado criminalista variam conforme a complexidade do caso, a fase (inquérito, ação penal, recursos), a urgência e o trabalho necessário, e devem constar em contrato escrito. A tabela da OAB serve de referência, e quem não pode pagar tem direito à Defensoria Pública.

“Quanto custa um advogado criminalista?” é uma das primeiras perguntas de quem enfrenta uma investigação ou um processo — e a resposta honesta é: depende. Este guia explica o que influencia o valor, como a cobrança costuma ser organizada e o que você deve exigir antes de contratar, para decidir com segurança e sem surpresas.

Por que não existe um preço único?

Cada caso criminal tem uma dimensão diferente de trabalho. Os principais fatores que influenciam os honorários são:

  • Fase em que o caso está: acompanhamento de intimação ou inquérito, prisão em flagrante, ação penal, recursos ou júri exigem esforços distintos.
  • Complexidade: número de acusados e crimes, volume de provas, perícias, quebras de sigilo, necessidade de estudos técnicos.
  • Urgência: pedidos de liberdade, audiência de custódia e habeas corpus demandam disponibilidade imediata.
  • Duração previsível: processos longos, com audiências em outras cidades, geram mais atos e deslocamentos.
  • Instâncias: atuação em primeira instância, tribunal de justiça, STJ ou STF.
  • Experiência e especialização do advogado ou do escritório.

Como a cobrança costuma ser organizada

Em vez de um único valor para “o caso inteiro”, é comum que a contratação seja dividida por fase ou por conjunto de atos, com forma de pagamento combinada de antemão. Por exemplo:

  1. Atendimento inicial e análise do caso.
  2. Acompanhamento de intimação, depoimento e inquérito.
  3. Atuação em flagrante e na audiência de custódia.
  4. Defesa na ação penal (resposta à acusação, audiências, alegações finais).
  5. Recursos e impugnações em instâncias superiores.

Isso dá previsibilidade: você sabe exatamente o que está contratando em cada etapa e o que ficaria para uma etapa posterior.

A tabela de honorários da OAB é obrigatória?

Não. As seccionais da OAB, como a OAB-SP, publicam tabelas de honorários que funcionam como referência, ajudando a evitar valores aviltantes e a orientar o cliente. Elas não são um preço fixo: o valor final é combinado entre advogado e cliente, conforme as particularidades do caso.

O que o contrato de honorários deve conter

O Estatuto da Advocacia assegura aos inscritos na OAB os honorários convencionados, e o Código de Ética recomenda que a contratação seja, preferencialmente, por escrito. Um bom contrato deixa claro:

  • Objeto: qual é o caso e quais fases ou atos estão incluídos.
  • Valor e forma de pagamento: parcelas, datas e consequências do atraso.
  • O que não está incluído: recursos em tribunais superiores, outros processos ligados ao mesmo fato, custas e despesas.
  • Despesas: quem paga deslocamentos, cópias, perícias ou pareceres e como serão comprovadas.
  • Comunicação: quem atende você e por quais canais.
  • Rescisão: como o contrato pode ser encerrado e como os honorários são tratados nesse caso.

Desconfie de promessas fáceis

Em direito criminal, ninguém pode garantir o resultado: o que o advogado assume é a estratégia e o esforço técnico. Desconfie de quem promete absolvição ou liberdade, de quem pede pagamento sem contrato ou recibo e de quem aborda você ou sua família de forma insistente em delegacias e fóruns. Veja mais sinais de alerta em como escolher um advogado criminalista em Campinas.

E se eu não puder pagar?

Quem não tem condições de arcar com os honorários tem direito à assistência jurídica gratuita pela Defensoria Pública, que atua em prisões, audiências e processos criminais. Se o juiz nomear um advogado dativo, o acompanhamento também será garantido. O importante é que ninguém fique sem defesa técnica em nenhuma fase.

Como pedir uma orientação inicial

Para avaliar o seu caso com segurança, a equipe precisa saber, em linhas gerais: qual é a fase (intimação, inquérito, flagrante, processo), se há prazo ou audiência marcada e se alguém está preso. Com isso, é possível indicar o caminho e apresentar uma proposta de contratação por escrito. Conheça nossa atuação em Direito Criminal.

Pontos principais

  • Não há valor único: fase, complexidade, urgência e instâncias definem os honorários.
  • A cobrança costuma ser dividida por fase ou conjunto de atos, o que traz previsibilidade.
  • A tabela da OAB é referência, não preço obrigatório.
  • Exija contrato escrito, com objeto, valor, forma de pagamento e despesas.
  • Quem não pode pagar tem direito à Defensoria Pública.
  • Lei nº 8.906/1994 (Estatuto da Advocacia e da OAB), art. 22 — honorários convencionados
  • Código de Ética e Disciplina da OAB — contratação de honorários
  • Constituição Federal, art. 5º, LXXIV — assistência jurídica integral e gratuita

Perguntas frequentes

Quanto custa um advogado criminalista?

Não há um valor único. Os honorários dependem da fase do caso, da complexidade, da urgência e das instâncias envolvidas, e devem ser combinados em contrato escrito.

A tabela de honorários da OAB é obrigatória?

Não. A tabela da seccional é uma referência para orientar advogado e cliente. O valor final é livremente combinado entre as partes.

O que deve constar no contrato de honorários?

O objeto (caso e fases incluídas), o valor e a forma de pagamento, as despesas, os canais de comunicação e as regras de rescisão.

Posso ter advogado sem pagar?

Sim. Quem comprova insuficiência de recursos tem direito à Defensoria Pública, e o juiz pode nomear advogado dativo para garantir a defesa.

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educativo, em conformidade com o Código de Ética e Disciplina da OAB, e não substitui a análise individual do seu caso por um advogado. Cada situação tem particularidades que podem alterar o caminho jurídico adequado.

Sobre o autor

Bellini Jr

Sócio fundador do Bellini Jr & Vilhena, doutorando e pesquisador de violência na FCM/UNICAMP e professor de Direito Penal e Processual Penal. Atua em Direito Criminal desde a fase de inquérito até o STJ e o STF.

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