Sindicâncias e PADs: como construir uma defesa administrativa efetiva

Por · Advogado criminalista

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Resposta rápida

Uma defesa efetiva em PAD começa na sindicância, que dita o rumo da acusação: é ali que se neutralizam indícios de autoria e materialidade, se impugnam irregularidades do procedimento e se constrói a discussão sobre dosimetria, proporcionalidade e razoabilidade — o que pode separar a demissão ou exclusão de uma suspensão ou advertência.

Há um risco comum ao qual estão sujeitos tanto funcionários e servidores públicos quanto profissionais inscritos em conselhos de classe, como CRM, COREN e CREA: as sindicâncias e os Processos Administrativos Disciplinares (PADs).

A instauração de uma sindicância ou de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) representa um momento de vulnerabilidade para essas pessoas, colocando em risco, além de suas atividades e subsistências, também suas reputações.

A sindicância não é mera formalidade

Um grave e comum erro que observamos é achar que as fases preliminares dessas apurações, especialmente as sindicâncias, são mera formalidade e que qualquer reação ou defesa técnica deve ser realizada somente nos PADs.

Uma defesa efetiva pressupõe a compreensão de que a sindicância dita o rumo da acusação e que neutralizar indícios de autoria e materialidade nessa etapa é a estratégia mais célere e eficaz para evitar que ela se transforme em um processo punitivo.

Vigiar a regularidade do procedimento

O advogado não se limita a rebater os fatos imputados ao profissional; cabe também vigiar a regularidade dos procedimentos. Isso significa impugnar ativamente irregularidades detectadas. Por irregulares ou mesmo ilegais, costumeiramente atacamos portarias de instauração genéricas, decisões punitivas sem relação com as denúncias iniciais, atos que coloquem a defesa numa posição de desigualdade e afetem a paridade de armas na produção de provas, e relatórios baseados em provas ilícitas. Cada manifestação deve ser cirúrgica, assim como as futuras intervenções judiciais.

Dosimetria, proporcionalidade e razoabilidade

Outro frequente ponto cego é a não observância da dosimetria da sanção, isto é, do tipo e da quantidade de punição imposta, e dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Mesmo diante de condutas incontroversas, a defesa técnica deve guiar a comissão processante na análise das circunstâncias atenuantes, do histórico do profissional e da ausência de prejuízo ou de dano. Demonstrar que a penalidade pretendida passa dos limites legais para o caso concreto é, muitas vezes, a linha que separa as penas máximas de demissão, para funcionários e servidores públicos, ou de exclusão, para profissionais com registro em órgãos de classe, de uma suspensão ou de uma mera advertência. A construção da defesa deve estar focada em erros procedimentais, na desconstrução da existência da infração e na razoabilidade da pena.

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Pontos principais

  • A sindicância dita o rumo da acusação e não deve ser tratada como formalidade.
  • A defesa impugna irregularidades: portarias genéricas, desigualdade de armas, provas ilícitas.
  • Dosimetria, proporcionalidade e razoabilidade podem separar demissão/exclusão de uma advertência.

Perguntas frequentes

A sindicância é mera formalidade?

Não. A sindicância dita o rumo da acusação, e neutralizar indícios de autoria e materialidade nessa etapa é a estratégia mais célere e eficaz para evitar que ela se transforme em um processo punitivo.

O que o advogado faz em um PAD?

Rebate os fatos imputados, vigia a regularidade do procedimento e impugna irregularidades, como portarias genéricas, desigualdade na produção de provas e provas ilícitas, além de discutir a dosimetria da sanção.

O que é dosimetria da sanção?

É o tipo e a quantidade de punição imposta. A defesa deve observar os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, as atenuantes, o histórico do profissional e a ausência de dano.

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educativo, em conformidade com o Código de Ética e Disciplina da OAB, e não substitui a análise individual do seu caso por um advogado. Cada situação tem particularidades que podem alterar o caminho jurídico adequado.

Sobre o autor

Bellini Jr

Sócio fundador do Bellini Jr & Vilhena, doutorando e pesquisador de violência na FCM/UNICAMP e professor de Direito Penal e Processual Penal. Atua em Direito Criminal desde a fase de inquérito até o STJ e o STF.

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