Responsabilidade ética e criminal do médico: estratégias de defesa

Por · Advogado criminalista

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A defesa do médico em esferas ética e criminal exige conhecimento multidisciplinar: distinguir o erro profissional da intercorrência inerente ao procedimento, analisar prontuários e provas periciais e dominar as normas do CFM, dos CRMs, do Ministério da Saúde e da ANVISA, além do Código de Ética Médica, do Código de Processo Ético-Profissional e do Código Penal.

A responsabilidade criminal do médico é um tema sensível e complexo. E, justamente por isso, exige que as estratégias de defesa sejam dirigidas a tais necessidades.

Em um cenário em que a judicialização da saúde e das condutas de profissionais de saúde cresce de forma expressiva, médicos se veem cada vez mais expostos a investigações criminais, inquéritos policiais e ações penais decorrentes de sua atuação clínica, cirúrgica e até mesmo administrativa, uma vez que não raras vezes atuam como gestores públicos ou privados.

Compreender a atividade em saúde

Compreender as atividades relacionadas à saúde e aos seus profissionais, inclusive médicos, é essencial. Quais são suas prerrogativas? Quais são suas atribuições? Há riscos envolvidos? Foram seguidos os protocolos institucionais e científicos em um determinado procedimento? Essas e outras perguntas devem ser respondidas para que se possa ter uma compreensão precisa dos limites dessas responsabilidades. É a partir disso que estruturamos as estratégias de defesa em casos que envolvam ética médica e questões criminais relacionadas a médicos.

A necessidade de um olhar multidisciplinar

Nessas discussões e defesas éticas e criminais específicas, é preciso ir além. É necessária a aplicação de conhecimento multidisciplinar típico das atividades de saúde.

De um lado, o olhar multidisciplinar permite compreender doenças, patologias e agravos; entender as relações multiprofissionais existentes e complementares nas redes de saúde; e verificar se têm relação, ou nexo, com determinado ato profissional ou se decorrem de um risco do próprio procedimento, segundo o estado da arte existente naquele momento.

De outro lado, a multidisciplinaridade permite uma análise criteriosa de prontuários e outros documentos médicos, bem como a produção de provas periciais.

Normas que orientam a defesa

Importa ainda, nesses casos, o conhecimento das normativas emanadas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), pelos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs) e por órgãos regulamentadores, como o Ministério da Saúde e as agências de vigilância sanitária, em especial a ANVISA.

Tais conhecimentos, quando agregados, em âmbito ético-disciplinar, ao Código de Ética Médica e ao Código de Processo Ético-Profissional, editados pelo CFM, e, em âmbito criminal, ao Código Penal, permitem uma identificação precisa do problema e a elaboração de uma estratégia defensiva. Para processos nos conselhos e no serviço público, veja também Sindicâncias e PADs: como construir uma defesa administrativa efetiva, como funciona o processo ético no CRM e nossa área de Defesas Disciplinares.

Pontos principais

  • É preciso diferenciar erro profissional de intercorrência inerente ao procedimento.
  • Prontuários e provas periciais são centrais para a defesa.
  • A defesa combina normas do CFM/CRMs, ANVISA, Código de Ética Médica e Código Penal.

Perguntas frequentes

Médicos podem responder criminalmente por sua atuação?

Sim. Com a judicialização da saúde, médicos se veem expostos a inquéritos policiais e ações penais decorrentes de sua atuação clínica, cirúrgica e administrativa.

Como diferenciar erro médico de intercorrência?

Verificando se o resultado tem relação (nexo) com um ato profissional ou se decorre de um risco do próprio procedimento, segundo o estado da arte existente naquele momento — análise que depende de prontuários e, muitas vezes, de prova pericial.

Quais normas orientam a defesa ética do médico?

O Código de Ética Médica e o Código de Processo Ético-Profissional, editados pelo CFM, além das normativas dos CRMs, do Ministério da Saúde e da ANVISA.

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educativo, em conformidade com o Código de Ética e Disciplina da OAB, e não substitui a análise individual do seu caso por um advogado. Cada situação tem particularidades que podem alterar o caminho jurídico adequado.

Sobre o autor

Bellini Jr

Sócio fundador do Bellini Jr & Vilhena, doutorando e pesquisador de violência na FCM/UNICAMP e professor de Direito Penal e Processual Penal. Atua em Direito Criminal desde a fase de inquérito até o STJ e o STF.

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