Busca e apreensão: o que fazer, quais são seus direitos e como a defesa atua

Por · Advogado criminalista

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A busca e apreensão em domicílio, em regra, exige mandado judicial específico e só pode ser cumprida de dia, salvo flagrante, desastre ou socorro. Você pode ler o mandado, acompanhar a diligência, chamar um advogado e exigir o registro do que for apreendido. Depois, a defesa analisa a legalidade da medida e das provas.

Policiais batem à porta com um mandado de busca e apreensão. Em segundos, a casa ou a empresa se torna cenário de uma diligência cheia de regras — e de riscos. Saber o que a lei permite e o que você pode exigir ajuda a proteger seus direitos e a validade de qualquer prova futura.

O que é busca e apreensão?

É uma medida de investigação em que a autoridade procura pessoas, documentos, equipamentos ou objetos relacionados a um crime e os retira para análise. Pode ser domiciliar (em casa, empresa ou escritório) ou pessoal (em quem está sendo revistado), e está regulada nos arts. 240 a 250 do Código de Processo Penal.

Quando a polícia pode entrar na sua casa?

A Constituição protege a casa como asilo inviolável. Ninguém pode entrar sem o consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito, desastre ou para prestar socorro — ou, durante o dia, por determinação judicial. Por isso, o mandado é a regra; a lei de abuso de autoridade, inclusive, trata como crime o cumprimento de mandado de busca em imóvel alheio fora do horário permitido, após as 21h ou antes das 5h.

O que deve constar no mandado?

O mandado deve indicar, o mais precisamente possível, a casa em que será realizada a diligência e o nome do proprietário ou morador, mencionar o motivo e a finalidade da busca e ser assinado pelo juiz. Mandados genéricos, com endereço errado ou sem fundamentação são pontos clássicos de questionamento pela defesa.

Quais são os seus direitos durante a diligência?

  • Ler o mandado e conferir endereço, nome e finalidade antes de permitir a entrada.
  • Acompanhar a busca e, se possível, filmar ou fotografar o que for feito.
  • Chamar um advogado — a presença da defesa durante a diligência ajuda a registrar irregularidades.
  • Exigir o registro do que for apreendido, com auto e descrição dos bens. Peça uma cópia.
  • Manter-se em silêncio sobre os fatos investigados até conversar com seu advogado.

Não resista à diligência: a discussão sobre a legalidade é feita depois, pela defesa, com acesso ao processo.

E em escritório de advocacia ou com o celular?

Quando a busca é em escritório de advocacia, o Estatuto da OAB exige mandado judicial específico e fundamentado, e a diligência deve ser acompanhada por um representante da OAB, para proteger o sigilo profissional dos clientes. Em relação a celulares e computadores, o acesso ao conteúdo costuma exigir autorização judicial específica — tema recorrente nas defesas, porque a forma como os dados são extraídos pode comprometer a prova.

O que a defesa faz depois da busca?

  1. Obtém o mandado, o auto de apreensão e a decisão que o fundamentou.
  2. Verifica a legalidade: fundamentação, horário, local, abrangência do mandado.
  3. Questiona provas obtidas fora dos limites do mandado ou de forma ilegal, que podem ser invalidadas.
  4. Pede a restituição de bens e documentos que não interessem à investigação.
  5. Constrói a estratégia do caso — desde a fase de inquérito, quando as provas ainda estão se formando.

Se a busca ocorreu em razão de um flagrante, veja também o que fazer na prisão em flagrante. Conheça nossa atuação em Direito Criminal e em crimes empresariais.

Pontos principais

  • A casa só pode ser invadida com consentimento, em flagrante, desastre ou socorro, ou, de dia, por ordem judicial.
  • O mandado deve ser específico, fundamentado e assinado pelo juiz.
  • Você pode ler o mandado, acompanhar a diligência e chamar um advogado.
  • Escritórios de advocacia têm proteção especial e exigem acompanhamento da OAB.
  • Provas obtidas de forma ilegal podem ser questionadas pela defesa.
  • Constituição Federal, art. 5º, XI — inviolabilidade do domicílio
  • Código de Processo Penal, arts. 240 a 250 — busca e apreensão
  • Lei nº 13.869/2019 (abuso de autoridade), art. 22 — cumprimento de mandado fora do horário permitido
  • Lei nº 8.906/1994 (Estatuto da OAB), art. 7º — inviolabilidade do escritório de advocacia

Perguntas frequentes

A polícia pode entrar na minha casa sem mandado?

Em regra, não. A entrada sem consentimento só é possível em flagrante delito, desastre ou para prestar socorro; durante o dia, também por determinação judicial.

Em que horário pode ser cumprido o mandado de busca e apreensão?

Durante o dia. A lei de abuso de autoridade considera crime o cumprimento do mandado domiciliar após as 21h ou antes das 5h.

Posso chamar um advogado durante a busca e apreensão?

Sim. É recomendável chamar o advogado imediatamente e, se possível, acompanhar toda a diligência, registrando eventuais irregularidades.

Como é a busca e apreensão em escritório de advocacia?

Exige mandado judicial específico e fundamentado e o acompanhamento de um representante da OAB, para preservar o sigilo dos clientes.

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educativo, em conformidade com o Código de Ética e Disciplina da OAB, e não substitui a análise individual do seu caso por um advogado. Cada situação tem particularidades que podem alterar o caminho jurídico adequado.

Sobre o autor

Bellini Jr

Sócio fundador do Bellini Jr & Vilhena, doutorando e pesquisador de violência na FCM/UNICAMP e professor de Direito Penal e Processual Penal. Atua em Direito Criminal desde a fase de inquérito até o STJ e o STF.

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